
Carlos Saloni nasceu em Bragança Paulista mas ainda criança sua família se mudou para Taubaté, onde viveu até os 24 anos. Em Taubaté, estudou e trabalhou com Adolfo Leonardo, um alemão que lhe ensinou muito sobre farmácia.
Em 1923, resolveu vir para São José dos Campos, onde montou, com seu futuro cunhado Vicente Cursino, a Farmácia Santana, na rua Humaitá. Depois que se casaram, Carlos e Benedita passaram a morar na casa que havia atrás da farmácia, como era costume na época. Algum tempo depois, Vicente vendeu sua parte para Carlos que passou a tocar o negócio com a esposa.
Quando resolveu fazer o curso de farmácia em Pindamonhangaba, Carlos e Benedita se mudaram com os dois filhos mais velhos para aquela cidade e deixaram um gerente na farmácia de São José. Moraram em Pinda um ano, até que a escola, no segundo ano do curso de Carlos, foi fechada e ele teve que se transferir para São Paulo. Benedita voltou para São José com os filhos para administrar a farmácia, que Carlos só visitava nos finais de semana.
Receitas de confiança
Quando voltou para São José dos Campos, Carlos Saloni se associou a Genésia Berardinelli Tarantino, na Farmácia São José, onde atuou durante 20 anos. Era muito amigo dos médicos Nelson D’Ávila, Mário Galvão e do pediatra Resende, que tinham absoluta confiança em seus conhecimentos como farmacêutico. “O doutor Resende chegava até mesmo a lhe entregar um bloco de receitas assinado, que o Carlos completava com o medicamento que achasse conveniente para um caso em que o médico não pudesse atender naquela hora“, conta, orgulhosa, sua viúva Benedita.
Alguns anos mais tarde, Saloni vendeu a farmácia da rua Humaitá e comprou o imóvel da esquina das ruas 15 de Novembro com Rubião Jr., onde montou a tradicional Farmácia Saloni, que teve clientes como Leonor de Barros, Chico Anísio e Monteiro Lobato, grande amigo de Saloni.
Para montá-la, Saloni foi até São Paulo, participar do leilão de uma farmácia, mas como havia comprado o imóvel, estava sem capital para fazer o lance vencedor. Um amigo de São José, Félix Zanetti, soube do problema e foi até a capital levar os 10 contos de réis necessários para que Saloni arrematasse a farmácia completa com balanças, remédios e laboratório.
Da farmácia para o banco
Quando decidiu parar de trabalhar, Saloni deixou a farmácia para o filho Carlos e foi para Caraguatatuba (litoral norte do Estado de São Paulo), em busca de um clima melhor para sua esposa com problemas cardíacos.
Foi nesta época que o Banco do Vale do Paraíba resolveu montar sua primeira agência em São Sebastião, município próximo de Caraguá e o dono do banco, Félix Guizard, aceitou a sugestão do nome de Saloni para ser o gerente. Para cumprir suas tarefas, Saloni fazia diariamente o percurso até São Sebastião de jeep.
Dois anos depois, foi aberta a agência de Caraguatatuba e ele foi seu primeiro gerente. Quando se aposentou, Saloni comprou um sítio no bairro do Cajurú, em São José dos Campos, onde voltou a morar.
Trabalho comunitário
Carlos Saloni foi um dos fundadores e secretário da primeira diretoria do Sindicato do Comércio Varejista de São José dos Campos em 1943. Pertenceu à Associação Comercial e Industrial, à Associação Esportiva São José e teve participação muito ativa na construção da Santa Casa de São José, onde chegou a ser farmacêutico.
Em sua homenagem, o posto de saúde da Vila Maria e uma rua do Jardim Santa Inês, em São José dos Campos receberam seu nome. Suas netas também criaram a Escola Carlos Saloni, de 1º e 2º graus, na Vila Ema.
Fonte: São José dos Campos: o comércio e o desenvolvimento (1994)

“A farmácia era do meu avô, desde o tempo em que o médico formulava e o farmacêutico manipulava. Fez parte da fase senatorial de São José. Por medo da contaminação da tuberculose as autoridades políticas se reuniam na farmácia á noite. Bares e lugares públicos eram considerados área de risco.” Por Paulo Saloni.

A Professora Dirce Saloni conta-nos um pouco dessa história
Nome: Dirce Saloni Pires
Data de nascimento: 16/11/1924
País de nascimento: Brasil
Profissão: Professora
Sobre: Nasceu na cidade de Bragança Paulista, no dia 16 de novembro de 1924. Mudou-se para São José dos Campos aos 6 anos quando o pai resolveu abrir uma farmácia durante a fase sanatorial da cidade. Foi professora e pedagoga. Tem 4 filhos, 10 netos e 5 bisnetos. Nas horas de lazer participa das programações voltadas para a Terceira Idade desenvolvidas pelo SESC-SJC.
As pessoas pagavam ao meu pai, na farmácia, anualmente – parece uma piada. Era assim, no tempo da caderneta: “Saloni, tome nota”. E papai tomava nota na caderneta. Tanto o freguês confiava no papai, como o papai confiava no freguês. De um freguês do papai eu me lembro muito, o senhor Paulo Becker, porque ele vendia aquelas telhas Paulo Becker, que foram famosas. Ele vinha e pagava a conta do ano todo. Outros pagavam a cada seis meses, de cada dois meses, tudo na base da caderneta. Porque do mesmo jeito que papai fiava para ser pago daqui a um ano, os outros também fiavam. Lojas de tecido, tudo a mamãe mandava tomar nota. Quando o dinheiro entrava, se pagava. Mas isso não durou muito tempo. Quando eu era menina, dez, doze nos, já não se pagava a conta anualmente.
A farmácia vendia só remédio, ele não dava conta. Tanto remédio, não? Xampu, sabonete, essas coisas, não. Depois é que começou. Hoje, a farmácia não precisa tanto de um farmacêutico, precisa de um balconista.
Eu acho que quando eu me casei já vendia sabonete, xampu, um pouquinho. Aquelas marcas bem conhecidas: Nívea, talco Johnson, coisas Johnson. Eu tinha vinte anos. Faz as contas aí: eu tenho 78, 79; menos vinte?
Ele não vendia para os sanatórios. Cada doente tinha a sua conta. Só quando era da diretoria, alguém que eles precisavam… aí vendia para o sanatório.
Ah, não havia calote, não, não havia. Calote: de jeito nenhum. Pois olhe, o seu Saul Vieira, que é um grande comerciante aqui, veio para São José tuberculoso. Numa carrocinha ele vendia santinho, não podia fazer outra coisa. Ele se curou completamente. Depois teve aquela cadeia de lojas de móveis Savilar: Savilar I, Savilar II, Savilar III. E hoje o seu Saul Vieira tem nome lá, tem lá o Centro Empresarial Saul Vieira. E tinha um outro que era o Posidônio Freitas. O Posidônio Freitas veio doente para cá. Ele nunca mais se esqueceu disso: ele estava precisando alguém que conhecesse para que ele pudesse comprar fiado, que era como eles diziam, nas outras lojas e papai foi e endossou um cheque dele. O Posidônio foi tão grato a papai que ele guardava aquela carta no bolso, e quando encontrava com alguém, mostrava a carta de papai e dizia: “Esse foi um grande amigo que nem me conhecia e já fez uma carta de apresentação”. E o Posidônio depois também ganhou um império aqui. Mobiliários e tudo. E assim foram diversos fregueses de papai. O doutor Paulo Becker. Paulo Becker veio para cá para fazer a fábrica. Tinha fazendas e depois a fábrica de telhas, famosa.
A Farmácia Saloni era uma graça. Até que eles ainda conservam, mais ou menos, a arquitetura da farmácia, só que tinha remédio em quantidade e, interessante, o móvel era diferente: aquele mobiliário que ia até o teto e com prateleiras para todos os remédios. E o laboratório era enorme porque se usava muito… O médico receitava, formulava e se fazia o remédio lá no laboratório. Acho que é por isso que até hoje eu sei fazer remédio e tenho mania de fazer floral para os meus filhos, netos, porque eu cresci nesse meio e conheço bem. E também, Nossa Senhora, como eu conheço arnica desde pequenininha, machucava, punha arnica. Não sei o quê, põe arnica. Arnica tem mais de mil anos, como remédio. Então, papai tinha um dicionário homeopático. Aquele dicionário eu sabia de cor e salteado. Até hoje eu tenho o Dicionário homeopático na farmácia.
Tinham os remédios, mas não eram tantos laboratórios como são os de hoje. Os remédios vinham de São Paulo e Rio. Um pouco de São Paulo, um pouco do Rio. Passava o vendedor, de farmácia em farmácia, de cidade em cidade, visitando todos eles e tomava nota dos pedidos e depois os pedidos vinham, de ônibus, de perua… Tomava nota e vinha tudo. Então a farmácia de papai era uma farmácia sortida, tinha de tudo, de tudo. E o papai, quando ia para Caraguatatuba, levava uma maletinha cheia de remédios e servia a população pobre, lá. E porque papai tinha tantos fregueses? Papai era demais caridoso. Ele dava consulta, e como ele não era médico, não era cobrado nada. Daí o remedinho, era uma coisinha mínima, insignificante, e se a pessoa era muito pobre papai dava o dinheiro para ele voltar. Quem não ia lá? Fazia fila mesmo. Tinha uma senhora grávida que foi consultar meu pai e papai foi muito bom para ela, deu remédio e tudo: “Olha, Seu Saloni, esse filho que está aqui na minha barriga há de se chamar Saloni”. Eu disse: “Ih Papai O senhor está bem arrumado, hein?”. “Há de se chamar Saloni.” Porque o nome Saloni é um nome inventado, sabe?
Fonte: Dirce Saloni para o Museu da Pessoa
Veja a entrevista completa abaixo:
https://museudapessoa.org/historia-de-vida/surgimento-do-com-rcio/


“A Farmácia Saloni era a única farmácia na cidade q vendia a pílula q dissolvia as pedras dos rins. Eram fabricadas por um pequeno laboratório (Paranapiacaba). O remédio era tão bom que, imagino, o laboratório tenha sido comprado por um gigante só para fechá-lo. Quem a receitava era um médico urologista muito conceituado na cidade.
Sofria e sofro com as pedras nos rins. Dr. Vicente receitava umas cápsulas produzidas num laboratório, talvez não poderoso, que dissolvia as pedras, e que eram vendidas só nessa Drogaria, a Saloni. A pilula funcionava muito bem. Dissolvia as pedras.
Na terceira crise renal, quando fui comprar dessas pilulas, o atendente me disse que o laboratório havia fechado e não mais existia essa pilula. Por que será, não? O laboratório foi engolido?” Por Roberto Kikko.

Da esquerda para direita, Olga Elias da Cunha, mãe do Zé Dirceu, minha Tia Lucia Simões e uma amiga. Ao fundo do lado direito é possível ver parte da Farmácia Saloni. Década de 1940.” Por José Zanine Caldas Filho.
“Prosseguimos em falar da família Saloni porque muita gente tem memória curta infelizmente. As tradições de farmacêuticos famosos tinham o saudoso Juquinha e os Saloni como representantes simplórios mas que no passado fizeram da profissão de auxiliar de farmácia e pessoas que até não passaram pelo caminho da faculdade. Mas enfim as farmácias eram uma espécie de pronto socorro de pessoa pacatas. Como SJC tinha a fama de que ninguém desmentiu até hoje, resumindo jamais conseguiu desmentir. A Farmácia Saloni a do Juquinha eram locais de compras de medicamentos e quando alguém ia adquirir remédios ou loções e instrumentos de toucador como perfumes etc, os fregueses instituíram um costume que o tempo não alagou este cenário fragrâncias adquiridas e variadas e como diz a Clarisse Escobar, isto era comum e a Dirce Saloni a exemplo de minha tia Zizinha, madrinha de batizado da Míriam também professora, eram muitos amigas e contemporâneas de mestrado e ensino na época.” Por Rui Laerte Gomide Santos.

“Farmácia Saloni, onde um moleque trabalhava fazendo entrega de remédios aos doentes de toda cidade com sua bicicleta. Adquiriu prática nesse ramo de comércio, e com passar do tempo, comprou sua própria farmácia. Eudócio de Paula era esse moleque.” Por Raul de Paula.

Em sua homenagem, o posto de saúde da Vila Maria e uma rua do Jardim Santa Inês, ambos em São José dos Campos, receberam seu nome, assim como o Colégio Saloni que foi fundado por suas netas e recebeu na época o nome de Escola Carlos Saloni.



Rua Carlos Saloni (Jardim Santa Inês I)
De acordo com o artigo 1° do decreto 6001 de 12 de junho de 1987, a rua 28 do loteamento Santa Inês I fica denominada como Rua Carlos Saloni. Carlos Saloni nasceu em 21 de abril de 1899, em Bragança Paulista, mas passou sua infância e juventude em Taubaté. Formou-se farmacêutico e veio morar em São José, em 1923, na casa de um cunhado. Conheceu a jovem Benedita Cursino e casaram-se. Tiveram quatro filhos. Montou a Farmácia Saloni, onde trabalhava com sua esposa, ele formulava e ela preparava a medicação. A “botica” (era assim que chamavam) do Sr. Saloni, na Rua XV de Novembro, era o ponto de reunião dos políticos da cidade. Respeitado por todos, fazia do estabelecimento tradicional, consultório para os mais simples. Comentava-se na cidade: “Algum problema de saúde? Vai lá na Saloni, que ele (Carlos) dorme atrás da porta!” Foi amigo de joseenses, tais como Dr. Nélson D’Ávila, Dr. Francisco José Longo, Adhemar de Barros (Governador SP), Manoel Ricardo (pai do poeta Cassiano Ricardo), Saul Viera, Dr. Rui Dória e do escritor Monteiro Lobato que, por conta da amizade, confiou-lhe o filho adoentado para uma assistência farmacêutica. Carlos Saloni, faleceu em 1980, aos 81 anos de idade.
Fonte: Site Pró Memória de São José dos Campos
O Colégio Saloni foi fundado em 1980 pela família Saloni em homenagem ao farmacêutico, entusiasta e precursor da família na cidade de São José dos Campos, Carlos Saloni.
Acesse: https://www.colegiosaloni.com.br/

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